Jesus nos salva da nossa condição humana.

Faz alguns dias que Deus vem falando comigo sobre a nossa condição humana.
Eu estava ouvindo uma pregação do nosso pastor Gary, feita em Portugal há alguns meses — ou talvez há um ano — e ele falava sobre Jesus nos salvar da nossa condição humana.

Mas o que é, afinal, a nossa condição humana?
O que dentro de nós é simplesmente humano, e o que nos é revelado através do relacionamento e da presença de Jesus Cristo em nós?

Ontem à noite recebi um áudio da minha prima, que conheceu Jesus há poucos meses e vem sendo restaurada e cuidada de forma pessoal por Ele.
Ela contou sobre como Jesus tem falado com ela nas últimas semanas — especialmente sobre perdão. Disse que Deus não tem parado de falar com ela desde o momento em que decidiu entregar sua vida nas mãos d’Ele. Quando ouvi isso, me emocionei. Lembrei de quando conheci Jesus, aproximadamente no primeiro ano do colégio. Hoje, quase 15 anos depois, com 31 anos, vejo que caminhar com Jesus é ter a certeza de que o trabalho d’Ele em nós nunca termina.

É incrível perceber como o agir de Deus em nós é constante.
Às vezes caminhamos na vida acreditando que está tudo bem dentro de nós. Outras vezes sabemos que não está — mas pensamos que o desconforto que sentimos no coração, aquela angústia, mágoa, falta de perdão ou incômodo com algo errado, não é urgente o bastante para ser cuidado.
Mas, para Deus, a condição do nosso coração é prioridade.

Em Jesus, as nossas feridas são vistas quando ninguém mais vê.
Ele realmente se importa.
Sendo perfeito, Ele olha para os pequenos buracos do nosso coração, para as dores escondidas, para tudo aquilo que nos impede de viver a vida plena e abundante que Ele preparou para nós.
O olhar d’Ele é compaixão, e o desejo d’Ele é restaurar e curar os nossos corações.

Depois de anos caminhando com Jesus, percebo que sempre há tempo — nunca é tarde demais para ser encontrado por Ele nas profundezas do nosso ser, nunca é tarde para o toque transformador do Seu amor. Muitas vezes acontecem situações que não entendemos e contra as quais lutamos. Mas, mesmo nelas, consigo ver as mãos de Jesus me alcançando e dizendo:

“Filha, isso aqui não está bem.”
“Filha, você precisa mudar essa atitude.”
“Filha, esse ponto do seu coração precisa ser restaurado. Me entregue isso.”

E ali está Ele — com as mãos de amor estendidas e os olhos cheios de compaixão — pronto para restaurar.

Muitas situações na vida nos abalam e influenciam o nosso cotidiano. Às vezes são coisas externas, que fogem do nosso controle. Mas, enquanto lutamos, Deus usa tudo isso para transformar algo dentro de nós, nos amadurecer e nos conduzir ao centro da Sua vontade.

A Palavra de Deus diz, no livro de Ester, que antes de se apresentar ao rei, Ester jejuou e pediu que todo o povo judeu também jejuasse, para que o coração do rei se inclinasse ao que ela iria pedir.
E assim aconteceu:
“Sucedeu que, vendo o rei a rainha Ester parada no pátio, ela alcançou favor diante dele, e o rei estendeu para Ester o cetro de ouro que tinha na mão.” (Ester 5:2)

Deus é capaz de mudar e quebrantar até o mais duro dos corações.
E, quando permitimos, é exatamente isso que Ele faz conosco.
Quando nos entregamos por completo a Ele — e mesmo antes de fazermos isso — os Seus olhos, ouvidos e coração já estão inclinados para nós. Sim, Jesus nos salva da nossa condição humana.

A condição humana diz que devemos permanecer como estamos, tentando curar nossas dores por meio de distrações ou substituições. Mas Jesus está à porta, pronto para nos restaurar.

Nós não precisamos ficar como estamos.
O melhor que podemos fazer é abrir o coração e permitir que Deus nos cure e nos restaure.
Só assim viveremos uma vida abundante e cheia de amor — por Ele, com Ele e pelas pessoas.

Diferente do que o mundo ensina, ao invés de vivermos nos comparando, competindo e correndo atrás do que se pode comprar, Jesus nos chama para viver uma vida de propósito, paz e plenitude. Viver com Jesus não é apenas se intitular cristão — é se parecer com Ele. É viver o evangelho, não apenas em palavras, mas em atitudes. Atitudes que honram e revelam o Cristo ressuscitado.

E se engana quem pensa que uma vida cheia da presença e do amor de Deus não tem desconforto.
Ao contrário — assim como Jonas, que foi enviado por Deus a Nínive, um lugar que lhe causava desconforto e medo, mas onde acabou sendo instrumento de transformação. Jonas é a representação do ser humano ao se encontrar com Deus: aquele que foge do chamado, tenta fazer tudo do seu próprio jeito, passa por crises e arrependimento, mas no fim descobre que a misericórdia de Deus é sempre maior que o julgamento humano. Mesmo depois de ser reintegrado ao plano de Deus, com o privilégio de participar da conversão de uma cidade inteira, Jonas ainda se irritou ao ver a bondade de Deus em não castigar o povo de Nínive.

E é exatamente aí que nos assemelhamos — entre a justiça que achamos merecer e a graça que Deus insiste em derramar.

Entre a justiça que julgamos merecer e a graça de Deus, que possamos escolher a graça — a graça que está sempre disponível para nós, mesmo quando não merecemos, mesmo enquanto ainda aprendemos a nos render completamente a ela. Porque é essa graça que nos alcança, nos transforma
e nos lembra, todos os dias: em Jesus, sempre há recomeço.

Ariani Lulio
07/11/2025